sábado, 7 de julho de 2007

Antoni Gaudí – Vida e Obra

“A ciência aprende-se com princípios e a arte com exemplos. Em lugar de consultar os catálogos de formas mumificadas (…) procedia a uma revisão da plástica e da estética dos estilos arquitetônicos, assinalando os erros (estruturais nos antigos, e artísticos no gótico) extraindo, no entanto, o sentido da composição e a modulação peculiar, e assim pude fazê-los evoluir no sentido moderno e valer-me de uma liberdade e um acento pessoal”.

Antoni Gaudí
Antoni Placid Gaudí i Cornet. Aparece como um arquitecto de novas concepções plásticas ligado ao modernismo catalão (a variante local da art nouveau). Usou de várias influências distintas criando um estilo próprio. Gaudí é o nome máximo da arquitetura catalã, reconhecido no mundo todo. Influenciado por Viollet Le Duc e Ruskin, era um dos pilares fundamentais do Modernismo. Nasceu em Reus em 1852, uma província perto de Barcelona. Seus pais eram Francesc Gaudí i Serra e Antonia Cornet i Bertran. Quando rapaz, ajudava seu pai na oficina e passou grande parte de sua infância, tentando curar suas dores reumáticas. Em 1869 mudou-se com seu irmão Francesc para Barcelona e começou seus estudos de arquitetura em 1873, na Faculdade de Belas-Artes, posteriormente transformada em Faculdade de Arquitetura da Universidade de Barcelona. Formou-se em arquitetura em 15 de março de 1878, tendo começado à partir de então ,a fazer seus primeiros projetos, como candeeiros de ruas, um quiosque de ferro fundido, uma oficina, entre outros.

Seu estilo único caracteriza-se por formas e linhas curvas e orgânicas, e sua obra se localiza dentro do movimento modernista, ainda que ele o superou criando um estilo próprio, caracterizado por uma continuidade do gótico, baseado, de forma predominante, nas formas curvilíneas. Também se distingue pelo uso de mosaicos com diferentes tonalidades, assim como também pela utilização de vitrais e do ferro forjado como aspectos que definem sua ornamentação.

Tinha uma adoração pela natureza e seu trabalho era inspirado a partir de suas formas. Devido a este fato, ele percebeu que a natureza não concebia formas regulares, ou se estas formas existissem, ocorreriam raramente. Segundo Gaudí “(...) se a natureza é um feito do Criador e as formas arquiteturais derivam da natureza, isto significa que o trabalho do Criador estará sendo continuado”.

Com o tempo, entretanto, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas complexas. Algumas de suas obras-primas, mais notavelmente o Templo Expiatório da Sagrada Família possuem um poder quase alucinatório.

Gaudí é conhecido por fazer extenso uso do arco parabólico catenário, uma das formas mais comuns na natureza. Para tanto, possuía um método de trabalho incomum para a época, utilizando-se de modelos tridimensionais em escala moldados pela gravidade (Gaudí usava correntes metálicas presas pelas extremidades: quando elas ficavam estáveis, ele copiava a forma e reproduzia-as ao contrário, formando suas conhecidas cúpulas catenárias). Também se utilizou da técnica catalã tradicional do “trencadis”, que consiste de usar peças cerâmicas quebradas para compor superfícies. Gaudí dimensionava seus prédios de forma integral, fazendo as fundações e estruturas até os menores detalhes ornamentais, o que o caracterizava como um arquiteto peculiar e único.

Antoni Gaudí trabalhou essencialmente em Barcelona, a sua terra natal, onde havia estudado arquitetura. Gaudí deixou-se influenciar por inúmeras tendências, não tendo nunca dedicado a sua arquitetura à tentativa de cópia de um estilo determinado. Uma das mais fortes influências que recebeu foi a de Viollet-le-Duc através do qual conheceu parte do seu gótico inspirador. Seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica (refletindo o revivalismo do século XIX) e da arquitetura catalã tradicional.

Em 1883 começou a construção da Casa Vincens. Nesse mesmo ano foi nomeado arquiteto-chefe da Sagrada Família por recomendação de Joan Martorell, um grande amigo de Gaudí, que teve considerada importância em relação a sua profissão. Em 1886 começou a construção do Palau Güell em Barcelona. Nos anos posteriores, construiu um edifício na área da Sagrada Família. Em 1889 trabalhou na construção do Palácio Episcopal a pedido de Joan Baptista Grau i Vallespinós, um padre de Reus, conterrâneo de Gaudí. Já em 1891 construiu a Casa Fernández y Andrés.

Nesta época outros edifícios importantes foram realizados, como a Casa Calvet. Ainda nesse período foi iniciada a construção do Parque Güell, inspirados nas cidades-jardim inglesas. Cabem outras citações de importância, como a Casa Milá e a Casa Batlló.

A criação que condensa todo seu trabalho é a Sagrada Família. Em 1883 começou sua realização, mas nunca pôde terminar. Um templo criado como um bosque de torres e colunas, ainda sem conclusão.


Catedral da Sagrada Família

Em 7 de junho de 1926, Gaudí foi atropelado por um trem enquanto passeava. Foi levado a um hospital de Barcelona gravemente ferido, vindo a falecer 3 dias depois. Gaudí foi enterrado na Catedral da Sagrada Família, sua obra-prima, onde dedicou seus últimos 12 anos de vida.

Bem como afirma Ochsé, “Tais obras não são criadoras de um estilo, mas libertadoras. Gaudí nos livra da monotonia dos imitadores, dos sem-idéias que obstruíam o horizonte”.

Estilo e fases

De acordo com Juan Nonell, Gaudí teve diversas fases. Podem-se nomear suas etapas em: Primeiros trabalhos, Influências orientais, Neogótico, Naturalismo, Estudo da linha e Estilo Definitivo.

Uma primeira fase que se pode identificar na arquitetura de Gaudí poderá ser chamada de “mourisca” uma vez que o arquiteto buscou inspiração naquele tipo de construções: as formas, as cores, os materiais, tudo aponta na mesma direção.

Seus primeiros projetos e trabalhos, correspondem ao período que vai de 1870 à 1885. No começo de 1873 colaborou na construção de uma habitação e uma loja de máquinas para a “Mataró Cooperative”. Já em 1878 obteve uma tarefa do Conselho da Cidade de Barcelona para projetar dois modelos de candelabros para as principais ruas e praças da cidade.

Sua próxima fase corresponde ao período de influências orientais, que aconteceram em torno de 1883 a 1888. Seria uma tendência no estilo da arquitetura que combinava o Neogótico com o exótico. Gaudí sentiu-se atraído pela arquitetura inglesa e também pela arquitetura oriental distante, especialmente a arquitetura indiana, persa e japonesa.

Uma outra fase identificável na obra de Gaudí é o que se pode classificar de período “gótico”. Gaudí utilizará os princípios deste estilo, bem como algumas das suas formas mais típicas; no entanto o gótico em Gaudí se manifestou também em inovações, como os seus arcos parabólicos.

Outra fase importante da obra de Gaudí foi aquela que decorreu ao lado de Güell. Este rico habitante de Barcelona era o retrato do industrial bem sucedido. A sua casa estava aberta aos artistas e Gaudí foi também acolhido e aí contactou com a chamada “Arte Nova”, que viria a usar mais tarde. As encomendas de Güell a Gaudí montam a cinco obras de arquitetura.

Em relação ao seu período naturalista, que ocorreu de 1895 a 1916, Gaudí obteve um de seus períodos mais criativos, correspondendo ao desenvolvimento de uma arquitetura baseada na natureza. A natureza não tem linhas retas e sim variadas formas. Essa fase de Gaudí é de extrema importância, pois nenhum outro arquiteto teve tamanho aprofundamento nesta questão quanto ele. Soube aproveitar ao máximo o que a natureza poderia oferecer. “A natureza estava refletida na arquitetura de Gaudí, como as árvores na superfície de um lago”.

Já arquiteto de créditos firmados, Gaudí buscou um estilo próprio e se quisermos citar exemplos desse estilo as casas Batló e Milá serão certamente as que nos atenderão. De tal forma ousadas eram essas construções que o público de Barcelona, apesar da estima e do prestígio de Gaudí, não deixou de as alcunhar e de as considerar quase aberrantes. Esse período corresponde a uma fase baseada numa geometria da linha que seria de 1908 a 1917.

Principais obras de Gaudí

Em ordem cronológica:

Casa Vincens (1878-1880)
Palácio Güell (1885-1889)
Colegio de Santa Maria de Jesús - Colegio de Las Teresianas (1889-1894)
Santa Coloma de Cervelló (1898-1915)
Casa Calvet (1899-1904)
Casa Batlló (1905-1907)
Casa Milá - La Pedrera (1905-1907)
Parque Güell (1900-1914)
Catedral da Sagrada Família (1884-inacabada)
Orfila, Canoas (1850-1982)
Cripta de La Colònia Güell (1899 – inacabada)
O Parque Güell, o Palácio Güell e a Casa Milà foram declarados Património Mundial pela UNESCO em 1984 e os restantes monumentos em 2005.

Parque Güell
Construído entre 1900 e 1914, é um parque público na zona norte de Barcelona.


Palácio Güell
Construído entre 1885 e 1900, foi encomendado por Eusebi Güell.

Casa Milá
Construído entre 1906 e 1912, foi encomendada por Pere Milà, por ocasião do seu casamento com Roser Segimon. Hoje pertence a um banco.

Casa Vincens
Primeira casa desenhada por Gaudi, construída entre 1878 e 1880, foi encomendada por Manuel Vicens i Montaner.

Catedral da Sagrada Famíla
Catedral cuja construção começou em 1883, ainda não está terminada.


Casa Batlló
Construída entre 1904 e 1906, foi encomendada por José Battló Casanovas.


Cripta Colônia Güell
Igreja cuja construção começou em 1899, ainda não está terminada. Está integrada na Colônia Güell, uma colônia para os operários da zona oeste de Barcelona.

Casa Calvet, Bellesguard e Colegio de Las Teresianas, respectivamente

O Modernismo em Barcelona

Modernismo é a designação que se dá aos diversos movimentos literários e artísticos surgidos na última década do século XIX, tais como o expressionismo, o cubismo, o fovismo, o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo, entre outros. Este movimento surgiu ao término do século XIX como uma reação contra os velhos estilos e é caracterizado por suas formas orgânicas e a preponderância das curvas, algo que dá uma sensação de movimento a suas obras. Como imitação à natureza, outro de seus rasgos mais notórios é sua ornamentação com formas vegetais. Gaudí foi um dos artistas mais representativos desta corrente artística.

O Art Noveau difundiu-se pela Europa com diferentes traduções: Modernismo, na Espanha; Jugendstil, na Alemanha; Secessão, na Áustria; Modem Style, na Inglaterra e Escócia, que em cada um desses países personalizou-se e adquiriu características próprias. Embora o modernismo surgisse em toda a Espanha, só foi próspero na região da Catalunha e Valença.

Os arquitetos catalães mais representativos do modernismo em Barcelona são:

Lluís Domènech i Montaner (1849-1923)
Nasceu em Barcelona, em 27 de dezembro de 1849 e morreu na mesma cidade em 27 de dezembro de 1923. Em 1873 entra na Escola de Arquitetura de Madrid. Dois anos depois, já em Barcelona, trabalha como professor na Escola de Arquitetura da cidade.

Josep Maria Jujol i Gibert (1879-1949)
Ele é um dos colaboradores mais importantes de Gaudí; ele colaborou com ele dentro de trabalhos importantes como a Catedral da Sagrada Família e a Casa Milá.

Josep Puig i Cadafalch (1867-1956)
Ele nasceu em Mataró em 1867, embora fosse um ecleticista consagrado, com a mudança de século, foi para o modernismo.

Enric Sagnier (1858-1831)
Ele é a autor de um grande número de edifícios da extensão de Barcelona, mas peculiarmente seu trabalho mais importante não está nesta zona, o Templo de Tibidabo, começado em 1902 e terminou, depois da morte de Sagnier, em 1961.

Antônio Gaudí i Cornet (1852-1926)

Na arquitetura e na ornamentação o modernismo destacou-se por observar similaridade entre as linhas sinuosas das fachadas com as mesmas linhas ondulantes da ornamentação e decoração dos interiores, com duas tendências definidas: as formas sinuosas e orgânicas, de um lado, e as geométricas e abstratas, percussoras da futura arquitetura racionalista, de outro. Em Barcelona, o arquiteto catalão Antoni Gaudí revolucionou a arquitetura com suas obras naturais e orgânicas, personalizando, extremamente, o estilo modernista.

O Modernismo em Barcelona reflete em sua arquitetura a riqueza ornamental que é comum a toda a Art Nouveau, mas isso também mostra um interesse em manter e renovar as técnicas tradicionais de construção e decoração.


Casa Ametller e Casa Batlló (Gaudí) e Praça da Catalunha

O Modernismo produziu um desenvolvimento enorme das artes decorativas. A arquitetura moderna na Catalunha não era somente pronunciada em edifícios residenciais, mas isso extensamente também foi expressado em edifícios institucionais, religioso, sanitário e bem-estar, educativos, industrial e até em edifícios de escritórios.

Estas novas tendências são evidentes nas diferentes artes como a arquitetura (incluindo todos os tipos de edifícios), escultura (até arte independente, sobre ornamentação de edifícios), artes decorativas (com materiais como mosaico, copo, madeira, tecidos e ferro fabricar qualquer objeto como mobília, abajures, jóias, vestidos, garrafas, jogos de pratos, tapetes, etc.), literatura e música.

O Modernismo catalão adquiriu tal personalidade que não encontra similaridade em nenhum outro lugar. Na Espanha, o funcionalismo apareceu profundamente em figuras como o já mencionado Josep Lluis Sert, um dos seus mais claros expoentes no contexto nacional e internacional. Existem numerosos elementos urbanos, como os postes de luz e o calçamento, além de diversos objetos decorativos como grades, portas, ferragens e mobiliário, entre outros exemplos do modernismo catalão.

Barcelona Novecentista

No começo do século XX, enquanto a extensão de Cerdá avançou de modo inexato, Barcelona estava se tornando a capital da vanguarda cultural, onde os avanços científicos e técnicos se faziam a cada dia.

Iniciativas como a escolarização e a formação profissional, a atenção para as novas necessidades do mercado estavam se materializando na nova cidade, que construiu os primeiros trens metropolitanos, eletrificou o carro de rua, o sistema de iluminação e os elevadores, e isso contribuiu para Barcelona se tornar uma cidade rápida, onde os meios de comunicação de massa e o consumismo começassem a reinar.

O Novecentismo é um movimento arquitetônico que nasce como reação ao modernismo. O impulsor deste movimento era a burguesia nacionalista, que queriam obter uma sociedade nova, moderna e aberta ao resto do país.

Este movimento pode ser considerado como uma evolução do Modernismo, mas as características são muito diferentes: eles consideram que a essência da identidade catalã está na serenidade e o equilíbrio do classicismo. Para os arquitetos de Novecentismo, o mediterrâneo era símbolo de puro classicismo.

O Novecentismo teve início por volta de 1906, e a década de 1930 como os anos do seu desaparecimento, concordando com o fim da ditadura e com a criação do GATCPAC (Grupo de Arquitetos e Técnicos catalães pelo Progresso da Arquitetura Contemporânea). Durante este período é contínua a procura por uma arquitetura nacionalista e de identidade regionalista. Ao concordar o Modernismo e o Novecentismo em um mesmo momento, não se pode falar exclusivamente de arquitetos do Novecentismo ou arquitetos modernistas, porque seria muito difícil os separar.

Arquitetura Catalã anterior à Guerra Civil: O GATCPAC

O GATCPAC (Grupo de Arquitetos e os Técnicos catalães pelo Progresso da Arquitetura Contemporânea) é uma associação criada em Barcelona em 1929 por um grande número de arquitetos com a intenção de unir as forças para criar uma arquitetura moderna. Os arquitetos do GATCPAC são os autores de um grande número de edifícios e trabalhos de caráter social, como o "Antitubercular Clínica Central", feito por Sert, Subirana e Torres. Os arquitetos que eram mais importantes para manter o GATCPAC eram Josep Lluís Sert e Torres de Josep. Eles começaram a trabalhar juntos em 1930 e esta associação terminou quando Sert foi forçado a se exilar por causa da Guerra Civil.

Arquitetura Catalã durante a ditadura

As reações do governo uma vez acabada a Guerra Civil foi a de desqualificar a grande maioria dos arquitetos de toda a Espanha, principalmente os catalães, forçando-os a se exilarem, como é o caso de Sert, exilado para o USA.

Este período é caracterizado pela chegada de grande quantia de imigrantes que fugiam da ditadura e por um retrocesso da arquitetura. O regime Franquista fechou as portas do país, de forma que não entrasse na Espanha nada vindo do exterior, significando um grande atraso na arquitetura de Barcelona, pois a cidade não podia receber as novas tendências que estavam no resto da Europa.

Mas um grupo de arquitetos, alimentados pelo desejo da liberdade, começam a fazer reuniões nas quais seus interesses por arquitetos estrangeiros cresce, como Aalto, Mies e outros, até que eles decidem fundar, em 1951, O Grupo R, encabeçado por Josep Pratmarsó. Quatro anos depois, em 1955, quando este grupo foi aprovado pelo Governo, mais arquitetos se uniram ao grupo. O Grupo R tentou revigorar uma arquitetura moderna, mas falhou por causa de seus próprios membros, que sempre procuraram o trabalho individual em vez de unir suas forças. Essas disputas internas causaram a dissolução do grupo em 1958.


Uma das obras mais importantes desse período é a construção do Nou Camp, estádio do FC Barcelona, construído pelos arquitetos Francesc Mitjans, Josep Soteras e Lorenzo Garci'a-Barbo'n.

Estádio Nou Camp - FC Barcelona



Intervenção no Nou Camp e entorno

Quando a Espanha abriu suas potas ao resto do mundo, os arquitetos catalães assimilaram a arquitetura que estava sendo feita no resto da Europa. Dois exemplos claros de funcionalismo catalão são a faculdade de direito de Barcelona e a Editora Gustavo Gili.

Também é necessário se lembrar do grupo mais sólido da arquitetura catalã: o formado por Martorell, Bohigas e arquiteto inglês Mackay, o grupo M.B.M. Este grupo tenta fazer uma arquitetura moderna, mas encontram dificuldades devido a falta de materiais, tecnologia e mão-de-obra.